Sede da Sefaz passa por obras de restauro
A fachada da belíssima sede da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul (Sefaz) está sendo renovada. As obras de restauro já alcançaram 50% nos prédios do Centro Histórico de Porto Alegre. O trabalho está recuperando a cor original das paredes.
Projetada em estilo neoclássico pelo arquiteto Theóphilo Borges de Barros, a obra foi executada em várias etapas. A construção do primeiro bloco, de frente para a Avenida Mauá, ocorreu na década de 1920, com o acréscimo posterior de pavimentos. O lado voltado para a Rua Siqueira Campos ganhou forma nos anos 1930 e também foi ampliado depois.
O monumental conjunto, com suas escadarias de acesso, está sobre área aterrada do Guaíba para a construção do Cais Mauá. O local era estratégico, ao lado do acesso ao porto. Os barcos eram o principal meio de transporte nos anos 1920.
O local abrigou a administração portuária e do Banrisul, entre outros órgãos. Na década de 1990, a Sefaz passou a ocupar os dois edifícios. O conjunto é patrimônio histórico do Estado, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae).
Desde 2009, diferentes iniciativas foram lançadas para sua restauração e preservação. Agora, está em curso a maior intervenção.
Restauro
Os trabalhos nos dois prédios históricos alcançaram 50% de conclusão em fevereiro. Quem circula pelo Centro Histórico já pode se encantar com a pintura das fachadas de três lados: Rua Siqueira Campos, Avenida Sepúlveda e Avenida Mauá. A fachada voltada para a Rua Cassiano Nascimento ainda passa por serviços.
A exceção é o andar térreo, que ficou submerso durante as enchentes de 2024. A água chegou a 1,76 metro na face da Rua Siqueira Campos e a 1,58 metro no lado da Avenida Mauá. É necessário um aditivo contratual para incluir a limpeza e a preparação da base desse pavimento. Por causa das inundações, as equipes aguardam ainda a eliminação da umidade residual das paredes antes de iniciar os trabalhos.
A recuperação dos pórticos também está em execução, na Rua Cassiano Nascimento e na Avenida Sepúlveda. Eles ligam os dois edifícios, dando a impressão, para quem observa de fora, de que é uma única construção.
A obra ainda prevê a restauração das fachadas internas, dos revestimentos, dos ornamentos e das esquadrias. O restauro do chamado “Casarão” da Sefaz tem investimento de R$ 8,3 milhões e previsão de término para o segundo semestre de 2026.
Amarelo Sefaz
Os restauradores do Estúdio Sarasá Conservação e Restauro retiraram sete camadas de tinta, de diferentes tons, até chegar ao pigmento original. A cor ocre, próxima ao bege e às tonalidades de terra e areia, ganhou até um apelido: Amarelo Sefaz.
O retorno às origens também ocorre no resgate das técnicas construtivas. A argamassa é feita com cal virgem. O pigmento da tinta é à base de silicato de potássio. Ambos conferem aos prédios a característica de serem “transpiráveis”, o que reduz os danos provocados por inundações.
Para manter essa técnica específica, o Estúdio Sarasá importa a tinta da Europa. O silicato fornecido pela Ucrânia é processado na Itália, que envia a base transparente ao Brasil. Aqui, a empresa Granilita faz a colorização final. É uma cor exclusiva para a sede da Sefaz.


