Com resgate da cor original e tinta importada da Europa, prédio histórico volta a brilhar em Porto Alegre

Amarelo Sefaz

Sede da Sefaz passa por obras de restauro

Amarelo Sefaz
Fachada restaurada na entrada da sede da Sefaz pela Rua Siqueira Campos. Foto: Robson Nunes / Ascom Sefaz
Situação do prédio antes das obras.
Foto: Robson Nunes / Ascom Sefaz

A fachada da belíssima sede da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul (Sefaz) está sendo renovada. As obras de restauro já alcançaram 50% nos prédios do Centro Histórico de Porto Alegre. O trabalho está recuperando a cor original das paredes.

Projetada em estilo neoclássico pelo arquiteto Theóphilo Borges de Barros, a obra foi executada em várias etapas. A construção do primeiro bloco, de frente para a Avenida Mauá, ocorreu na década de 1920, com o acréscimo posterior de pavimentos. O lado voltado para a Rua Siqueira Campos ganhou forma nos anos 1930 e também foi ampliado depois.

O monumental conjunto, com suas escadarias de acesso, está sobre área aterrada do Guaíba para a construção do Cais Mauá. O local era estratégico, ao lado do acesso ao porto. Os barcos eram o principal meio de transporte nos anos 1920.

Fachada do prédio da Avenida Mauá em 1935.
Revista do Globo / Delfos/PUCRS
Gabinete do secretário da Fazenda em 1935.
Revista do Globo / Delfos/PUCRS

O local abrigou a administração portuária e do Banrisul, entre outros órgãos. Na década de 1990, a Sefaz passou a ocupar os dois edifícios. O conjunto é patrimônio histórico do Estado, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae).

Desde 2009, diferentes iniciativas foram lançadas para sua restauração e preservação. Agora, está em curso a maior intervenção.

 

Restauro

Os trabalhos nos dois prédios históricos alcançaram 50% de conclusão em fevereiro. Quem circula pelo Centro Histórico já pode se encantar com a pintura das fachadas de três lados: Rua Siqueira Campos, Avenida Sepúlveda e Avenida Mauá. A fachada voltada para a Rua Cassiano Nascimento ainda passa por serviços.

Fachada renovada na esquina da Rua Siqueira Campos com a Avenida Sepúlveda.
Foto: Robson Nunes / Ascom Sefaz
Situação do prédio antes do restauro.
Foto: Robson Nunes / Ascom Sefaz

A exceção é o andar térreo, que ficou submerso durante as enchentes de 2024. A água chegou a 1,76 metro na face da Rua Siqueira Campos e a 1,58 metro no lado da Avenida Mauá. É necessário um aditivo contratual para incluir a limpeza e a preparação da base desse pavimento. Por causa das inundações, as equipes aguardam ainda a eliminação da umidade residual das paredes antes de iniciar os trabalhos.

A recuperação dos pórticos também está em execução, na Rua Cassiano Nascimento e na Avenida Sepúlveda. Eles ligam os dois edifícios, dando a impressão, para quem observa de fora, de que é uma única construção.

A obra ainda prevê a restauração das fachadas internas, dos revestimentos, dos ornamentos e das esquadrias. O restauro do chamado “Casarão” da Sefaz tem investimento de R$ 8,3 milhões e previsão de término para o segundo semestre de 2026.

 

Amarelo Sefaz

Os restauradores do Estúdio Sarasá Conservação e Restauro retiraram sete camadas de tinta, de diferentes tons, até chegar ao pigmento original. A cor ocre, próxima ao bege e às tonalidades de terra e areia, ganhou até um apelido: Amarelo Sefaz.

Sede camadas de tinta foram retiradas para encontrar a cor original.
Foto: Robson Nunes / Ascom Sefaz

O retorno às origens também ocorre no resgate das técnicas construtivas. A argamassa é feita com cal virgem. O pigmento da tinta é à base de silicato de potássio. Ambos conferem aos prédios a característica de serem “transpiráveis”, o que reduz os danos provocados por inundações.

Para manter essa técnica específica, o Estúdio Sarasá importa a tinta da Europa. O silicato fornecido pela Ucrânia é processado na Itália, que envia a base transparente ao Brasil. Aqui, a empresa Granilita faz a colorização final. É uma cor exclusiva para a sede da Sefaz.

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